PAYADA
PAYADA
Payador, payada, pampa e guitarra,
Cordeona retrechando num sarandeio,
E a indiada atacando rodeio,
No sinuelo do pampa,
Onde touro afia a guampa,
Nos cucuruto campeiro,
Deste meu chão missioneiro,
Pai da minha estampa.
Um verso que brotou do meio do capim,
Uma rima agarrada a o pensamento,
Assim como o ginete no tento,
Reculutando um clarim farrapo,
Este verso altaneiro e guapo,
Trançado com a maior perfeição,
Assim como a lenha vira tição,
E a payada uma lonca de sapo.
Num fundão do descampado,
Floreio a cordeona solito,
Quando a noite ao tranquito,
Se boleia no horizonte,
E eu trago de reponte,
Uma trova de três linha,
Como a faca sai da bainha,
E a tropilha bebe da fonte.
No meu galderiar andejo,
Rondei luas vaqueanas,
Cantei toadas pampianas,
De riba do meu bragado,
Bem gaúchão e entonado,
Nas mãos o tento atando o caderno,
Assim cruzo o mundo moderno,
De um jeitão bem aporreado.
Trago no peito a tenência,
E nos versos a marca da mangueira,
Por que é de uma garganta missioneira,
Que sarandeia um sapucay,
Na fronteira o Rio Uruguai,
Por onde fui batizado,
No lombo de um aporreado,
É a herança que tive do meu pai.
Ass. Mateus Sala.

